Um medicamento experimental pode ter curado um doente britânico com um
cancro de pele em estado avançado, a quem os médicos davam apenas alguns
meses de vida.
| Melanoma é a forma mais agressiva de cancro da pele |
Os médicos não estão certos de que este tratamento tenha curado Warwick Steele, de 64 anos, mas até ao momento não foi encontrada outra explicação.
O paciente esteve sujeito ao tratamento com Pembrolizumab, diretamente injetado na corrente sanguínea, durante 6 meses. Três meses depois, o tumor de Warwick Steele quase tinha desaparecido. Desde então, não há sinais de possa regressar.
"Não podemos dizer com certeza que ele esteja curado, mas ele encontra-se muito bem. O paciente estava ao corrente de que sem um tratamento eficaz as perspetivas de sobrevivência não eram muito boas - talvez meses", diz David Chao, médico oncologista da Royal Free Hampstead NHS Trust em Londres.
Este tratamento foi testado em pacientes com melanoma, o tipo mais agressivo de cancro de pele. Cerca de 70% dos 411 participantes do ensaio clínico estão vivos um ano após o início do tratamento, o que é considerado notável tendo em conta os estágios avançados do tumor e os baixos prognósticos de sobrevivência associados.
"O Pembrolizumab parece ter potencial para uma mudança de paradigma na terapia do cancro e está garantidamente a ajudar a estabelecer a imunoterapia como um dos mais excitantes e promissores métodos de tratamento nos últimos anos", sublinhou David Chao.
O Pembrolizumab é um anticorpo sintético que bloqueia o processo biológico de morte celular programada (PD-1), que o cancro ativa para enfraquecer o sistema imunitário. Em indivíduos saudáveis, é este processo que impede que o sistema imunitário fique fora do controlo.
Atualmente, as taxas de sobrevivência para um ano referentes a doentes sem tratamento, diagnosticados com estágio 4 de melanoma são de 10% para os homens e 35% para as mulheres. De acordo com David Chao, o Pembrolizumab foi "bem tolerado" pela maioria dos pacientes deste ensaio clínico, mas as respostas ainda variam consoante os indivíduos.
Dados adicionais também mostram que este medicamento reduziu o tamanho de cancros do pulmão até 47%.
Os resultados do ensaio foram apresentados no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia, em Chicago.
A farmacêutica Merck Sharp & Dohme, fabricante do Pembrolizumab, espera poder candidatar-se a uma licença europeia para vender o medicamento dentro de meses.
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